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    A Clínica » Reprodução humana

     

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    Nas últimas décadas, o setor de reprodução humana protagonizou um desenvolvimento surpreendente no Brasil e no mundo, abrindo perspectivas extremamente favoráveis para casais que não podem ter filhos. Os avanços tecnológicos possibilitaram que, entre mulheres de até 35 anos, o índice de crianças nascidas por fertilização assistida saltasse de 5% por tentativa na década de 70 para 25% no início dos anos 90 e atingisse os atuais 55%. Aceleração que tem permitido à medicina reprodutiva dar respostas cada vez mais eficientes para combater o drama da infertilidade vivido por 10 milhões de casais brasileiros, além de abrir novos caminhos para ampliar as taxas de sucesso.

    Um equipamento de última geração, de uso recente no Brasil, promete alavancar conquistas no setor. Denominado spindle view, possibilita a visualização da parte genética dos óvulos e facilita a seleção dos mais aptos a resultar em gravidez. Mulheres mais velhas ou com ovários policísticos serão grandes beneficiárias do método, que poderá aumentar em 20% as chances de gestação.

    Para completar esse quadro, duas novas linhas de pesquisa poderão tornar desnecessária a clonagem de seres humanos: produção de óvulos artificiais, em fase experimental no Brasil, e fabricação de espermatozóides artificiais, realizada por um grupo australiano. Os resultados alcançados até agora no setor de fertilização assistida só foram possíveis graças à interação de sucessivos avanços em diferentes áreas.

    No laboratório, o desenvolvimento de novos meios de cultura permite hoje uma melhor preparação de óvulos e embriões, elevando as chances de gravidez. Em termos tecnológicos, poucos feitos se igualam ao advento do método ICSI que, ao possibilitar a injeção de espermatozóide dentro do óvulo, trouxe vitórias impensáveis há algumas décadas.

    É o caso de homens que não produzem espermatozóides ou submetidos a vasectomia há mais de cinco anos. Agora, eles podem procriar ou voltar a ter filhos. As agulhas microscópicas e precisas desenvolvidas para o ICSI abriram outras frentes de investigação científica, permitindo o exame de embriões antes da implantação no útero da paciente.

    O diagnóstico precoce de malformações e doenças como Síndrome de Down tornou-se fator decisivo para dar segurança e tranquilidade aos casais que recorrem à fertilização assistida. Com tantas conquistas já alcançadas e outras que despontam no horizonte, não vejo razão para investir em clonagem.

    Atualmente, qualquer tentativa de clonagem não representa um avanço, mas uma temeridade inconseqüente. Não há eficácia técnica e tampouco experimentação animal suficientes para garantir resultados seguros. Em contrapartida, as novas metodologias em curso poderão, em breve, resolver com grande segurança e eficiência os problemas da maioria dos casais inférteis.

    O Dr. Roger Abdelmassih é especialista em reprodução humana.

     
     
     
     
     
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