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    Imunologia da reprodução

    Nova especialidade contribui com a Reprodução Humana, auxiliando casais com perdas gestacionais repetidas, aborto recorrente ou falhas em ciclos de FIV

    Durante milhares de anos, a reprodução foi um verdadeiro enigma para a humanidade e para a ciência. Os filhos eram conseqüências da união entre um homem e uma mulher. Quando não acontecia o esperado, a mulher era culpada e ponto final.

    O enigma começou a ser decifrado em 1978, com o nascimento da inglesinha Louise Brown. O acontecimento se tornou um marco e um divisor de águas para a Reprodução Humana, uma das áreas da medicina contemporânea que mais evoluiu no último século. Avanços técnicos e tecnológicos possibilitaram a realização do sonho da maternidade para milhares de pessoas. Hoje, a maioria dos casais consegue realizar o sonho de ter um bebê graças a essa evolução. No mundo, são mais de 3 milhões e só no Brasil, mais de 30 mil bebês gerados por meio de técnicas de Reprodução Assistida.

    Entretanto, como a ciência é dinâmica, o conhecimento gera novas questões e desafios, como o papel do sistema imunológico na reprodução.

    Há muito tempo sabe-se que para ter uma gravidez é necessário que o embrião, até então um corpo estranho ao útero, seja reconhecido imunologicamente, evitando assim ser atacado pelas defesas do corpo. Livros muitos antigos chegavam a fazer referência à gravidez como um processo “alérgico”.

    O sistema imunológico está sempre “de prontidão” para atacar e destruir tudo o que não faz parte do nosso organismo – seja uma bactéria, seja uma célula tumoral. Normalmente, o embrião é um caso à parte, e a gravidez é um milagre no contexto da guerra imunológica. Mesmo sendo um “corpo estranho” ao sistema imunológico da mulher, as células do embrião são acolhidas e alimentadas, gestando um novo ser humano. Pequenas alterações, porém, no sistema imunológico podem resultar em fracasso da gestação.

    Estudos demonstram que 84% das pacientes com duas ou mais falhas de implantação em processos de Fertilização In vitro (FIV) e 98% daquelas com abortamentos de repetição apresentaram algum tipo de problema imunológico. Basicamente o fator imunológico em Reprodução Humana apresenta-se em três formas distintas – a autoimunidade, a trombofilia e a aloimunidade.

    Na autoimunidade o corpo da mãe “ataca” o embrião através de anticorpos, causando intenso processo inflamatório ao nível placentário ou fetal. Na trombofilia existem fatores congênitos ou adquiridos que provocam alterações na coagulação sanguínea, levando a alterações na nutrição do embrião, ou mesmo de forma direta impedindo a sua implantação. Por fim, na aloimunidade as características celulares do casal são muito similares, levando à formação de um embrião com características similares às da mãe, e conseqüente dificuldade no reconhecimento imune do mesmo.

    A boa notícia é que a infertilidade de causa imunológica já pode ser tratada e casais com esse perfil que queiram ter um filho podem obter uma correta avaliação e terapêutica adequada. Além das causas imunológicas, em alguns casos torna-se necessário investigar as causas genéticas, infecciosas, anatômicas e hormonais, que também podem contribuir para a perda da gravidez.


    Consultores: Dr. Roger Abdelmassih e Dr. Vicente Abdelmassih.

     
     

     


     
     
     
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