Sexo na fertilização in vitro
Se a vida sexual do casal for ativa durante o tratamento, a qualidade dos espermatozóides aumenta, assim como as chances de gravidez
A infertilidade gera tabus que são difundidos por médicos e pacientes ao longo do tempo. Entre esses tabus, um dos mais repetidos é aquele em que se solicita ao casal que mantenha abstinência sexual durante três a cinco dias antes do período fértil, para que se obtenham espermatozóides em maior quantidade e melhor qualidade.
Sabemos que alguns casais que vêm à nossa Clínica não têm um relacionamento sexual adequado. A presença da infertilidade somada aos tabus e esquemas de tratamento acabam inibindo o relacionamento sexual, que se torna artificial. Durante um tratamento para engravidar o nível de ansiedade é enorme. Namorar com regras pré-estabelecidas e hora marcada pode, isso sim, abalar a estrutura psicológica do casal – que atrapalha o sexo - e até comprometer a relação.
Como se sabe, os testículos, onde são produzidos os espermatozóides, reagem a estímulos. Desse modo, um indivíduo que mantenha relações sexuais numa freqüência de três vezes por semana, vai ter uma quantidade estável de espermatozóides . A partir do momento em que ele modifica o seu ritmo sexual aumentando a freqüência, diminui a concentração de espermatozóides, porém, o padrão anterior será restabelecido dentro de sete a 10 dias.
Por outro lado, fora dos testículos, os espermatozóides sobrevivem alguns dias em uma região próxima à próstata, aguardando para serem ejaculados. Quanto mais tempo eles permanecem armazenados, piora sua qualidade e muitos morrem nesse período. Esses dados mostram que a vida sexual deve ser saudável e mantida o tempo todo. Mudanças de ritmo, principalmente no período fértil, podem ser menos benéficas do que se acredita.
Mesmo nos casos de tratamento com fertilização “In-Vitro” – fecundação dos óvulos e espermatozóides no laboratório, por meio da técnica de injeção de um espermatozóide em cada óvulo (ICSI) – estudos realizados em nossa clínica demonstraram que, aparentemente, são obtidos melhores resultados com apenas um dia de abstinência.
A dificuldade de gerar filhos é mais comum do que se imagina – 20% dos casais têm problemas de infertilidade. Na verdade, os dois contribuem: 40% dos problemas são do homem, 40% da mulher e, nos 20% restantes, os dois parceiros têm problemas que impedem a gravidez. Desse modo, a manutenção de uma vida sexual mais ativa minimiza a participação do homem na infertilidade conjugal.
A conclusão é que, mesmo com todas essas tecnologias, uma vida sexual ativa e saudável ainda é determinante para engravidar, tanto de forma natural como através de reprodução assistida. Quanto mais namorar, melhor. E maiores são as chances de uma gravidez.
Roger Abdelmassih é especialista em reprodução humana. Sua Clínica realiza 1.600 ciclos de fertilização por ano, com um índice de sucesso de 55% por tentativa em mulheres de até 35 anos, e contribui para a geração de mais de 5,7 mil bebês.
Pílulas
20% dos casais têm problemas de infertilidade, no mundo inteiro 30% dos problemas são masculinos
A varicocele é a principal causa de infertilidade masculina: 1 em cada cinco homens tem varicocele – doença cuja principal característica é a dilatação das veias que drenam o sangue da região dos testículos
Essa doença provoca o acúmulo de substâncias nocivas do órgão e o aumento da temperatura local, levando a uma diminuição na produção de espermatozóides
Os problemas tubários constituem a principal causa de infertilidade feminina
Consultores: Dr. Roger Abdelmassih e Dr. Vicente Abdelmassih.
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