Maio 2007
Aquecimento global influi na fertilidade humana
O desrespeito à natureza vem causando problemas, que poderão ter conseqüências catastróficas, mais cedo do que as pessoas acreditam, influindo até mesmo na fertilidade humana. A dificuldade de gerar filhos é mais comum do que se imagina – 20% dos casais têm problemas de infertilidade. A infertilidade não é um problema exclusivo da mulher. Na verdade, os dois contribuem – 30% dos problemas são do homem, 30% da mulher. Nos 40% restantes, os dois parceiros têm problemas que impedem a gravidez. A novidade é que a infertilidade masculina aumentou 50% nos últimos 50 anos. Estresse, varicocele, azoospermia, e até fatores ambientais, como o aquecimento global, podem contribuir.
Os dias estão cada vez mais quentes, com previsão de aumento da temperatura de até seis graus ainda durante este século. Segundo cientistas, o clima está sofrendo mudanças em virtude do aquecimento global, causado pelos gases e vapores tóxicos expelidos pelos automóveis e industrias, desmatamento e queimadas. Estes gases (ozônio, gás carbônico e monóxido de carbono, principalmente) formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o famoso efeito estufa. Os raios do sol atingem o solo e irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura. Embora este fenômeno ocorra de forma mais evidente nas grandes cidades, já se verificam suas conseqüências em nível global, em prejuízo da qualidade de vida da população.
No nosso organismo, os radicais livres são produzidos pelas células, durante o processo de queima do oxigênio, utilizado para converter os nutrientes dos alimentos absorvidos em energia. Os radicais livres podem danificar células sadias do nosso corpo, entretanto, nosso organismo possui enzimas protetoras que reparam 99% dos danos causados pela oxidação, ou seja, nosso organismo consegue controlar o nível desses radicais produzidos através do nosso metabolismo. Entretanto, os processos metabólicos não são a única fonte de radicais livres. Fatores externos podem contribuir para o aumento da formação dessas moléculas: poluição ambiental, radiação ultravioleta, cigarro, álcool, resíduos de pesticidas, substâncias presentes em alimentos e bebidas, estresse e consumo excessivo de gorduras saturadas, entre outros.
Fertilidade prejudicada Os primeiros prejudicados serão os habitantes das grandes cidades, onde a concentração de poluentes é maior, devido ao monóxido de carbono gerado pelos automóveis e indústrias.
Os radicais livres lesam a membrana dos espermatozóides, afetando sua morfologia e motilidade (capacidade de movimento). Em conseqüência, agridem o seu genoma, determinando com isso fragmentação do DNA citoplasmático e, em casos mais severos, a apoptose (morte celular). Recente estudo realizado na Espanha estima para 2067, índice zero de espermatozóides móveis no país.
As mulheres nascem com uma quantidade fixa de óvulos, que diminuem a cada período fértil. A partir dos 30 anos, além da quantidade reduzida, essas células começam também a perder qualidade, com a conseqüente diminuição da fertilidade feminina. Como os radicais livres lesam o DNA dos óvulos, as conseqüências do aquecimento global deverão provocar antecipação desse processo e aumento da incidência de infertilidade feminina, hoje em torno de 30% dos casos.
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