Banco de óvulos: preservar a fertilidade feminina já é uma realidade
“As novas tecnologias de congelamento de óvulos
oferecem uma saída para a mulher prolongar sua fertilidade por tempo indeterminado”
O congelamento de espermatozóides é conhecido há pelo menos dois séculos, mas é utilizado clinicamente há aproximadamente 50 anos. O congelamento de embriões é feito desde 1984, e recentemente atingiu seu ápice com resultados similares aos de embriões a fresco. Por outro lado sempre foi difícil congelar os óvulos, pois sua estrutura volumosa e delicada dificultava a técnica.
A partir de 2001, cientistas da Itália, Canadá e Japão começaram a utilizar novos procedimentos de congelamento e foram desenvolvendo novas técnicas com taxas de sobrevivência e gravidez cada vez maiores.
Nas técnicas antigas os embriões e óvulos eram congelados lentamente utilizando máquinas sofisticadas, que programavam a queda da temperatura durante o congelamento. Os embriões congelados eram então armazenados em butijões com nitrogênio líquido a temperatura de -196o C. Entretanto, durante o congelamento, e mesmo com a proteção dos meios chamados crioprotetores o óvulo não congelava direito. Ou havia a formação de espículas durante o procedimento, destruindo o óvulo, ou havia algum tipo de degeneração gerando um resultado pobre na fecundação e posterior gravidez.
Mais recentemente uma nova técnica foi desenvolvida utilizando o congelamento ultra-rápido e que foi batizada de Vitrificação, pois durante o processo não existe a formação das espículas e o meio congelado permanece transparente e similar ao vidro.
Mesmo esta técnica demorou um pouco até chegar a seu ápice, mas de dois anos para cá os resultados se tornaram expressivos e o banco de óvulos passou a ser uma realidade. Assim como em outras técnicas de congelamento, seu armazenamento pode ser feito por tempo indeterminado mantendo as características celulares.
Um banco de óvulos seria de grande benefício para mulheres e casais inférteis. Assim jovens mulheres poderiam armazenar seus óvulos, adiar a gravidez para ter sua vida seguindo uma carreira ou estudos, por exemplo, e ter sua gravidez até com mais de 40 anos com seus próprios óvulos, mas com as características e qualidades de quando foi armazenado. Ou seja, ainda estariam jovens!!!
As doadoras também poderiam doar várias vezes, armazenando grande quantidade de óvulos, os quais seriam utilizados posteriormente quando necessários, evitando ter que se fazer um ciclo paralelo ao da receptora para que a doação fosse a fresco.
Por outro lado, casais com excesso de óvulos, com medo de ter uma gestação múltipla e que por outros motivos não gostariam de ter seus embriões excedentes congelados, poderiam armazenar os óvulos ao invés dos embriões.
Os casos onde ocorre a chamada Síndrome de Hiperestimulação ovariana, com produção excessiva de óvulos, também podem ser beneficiados, pois o excesso de óvulos coletado pode ser congelado.
Por fim, esta técnica atende aos anseios das igrejas e do judiciário, já que permite que sejam armazenados apenas gametas sem serem embriões e, portanto, sem ser considerada “vida”. Deste modo evitam-se implicações quanto ao armazenamento, posse dos embriões, descarte e conseqüências jurídicas.
“Os resultados iniciais em nossa clínica são promissores”, afirma o Dr. Vicente Abdelmassih. Em 32 casos de pacientes que receberam doação de óvulos congelados a taxa de sobrevivência ao descongelamento foi de 66% demonstrando a efetividade do processo de congelamento. Dos óvulos sobreviventes 81% fecundaram e destas, 18 pacientes (56%) engravidaram. Das que engravidaram 49% estão com a gravidez em curso e somente 11,1% abortaram.
“Isso mostra uma efetividade nunca vista antes e caracteriza uma nova realidade nos tempos modernos. Em um futuro próximo teremos vários bancos de óvulos por todo o mundo e os procedimentos e as pacientes irão se beneficiar disso”, comemora Dr. Vicente.
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