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    Biópsia de embrião X Novela: preocupação aumenta, testes não.

    O exame tem indicações precisas e é visto como "garantia" de bebê saudável

    No início os médicos não entendiam a razão de tantas perguntas sobre a Síndrome de Down, até que veio o esclarecimento: o caso dos gêmeos de Fernanda, da novela Páginas da Vida. Numa clínica de fertilização assistida, onde o sonho de ter um filho é cercado de tecnologia e incertezas, a reação provocada pela novela é vista como natural: “Os casais tocam no assunto, preocupados, e cogitam fazer a biópsia embrionária, mas nós os esclarecemos e os desestimulamos na grande maioria das vezes, pois a biópsia tem indicações precisas”, explica o Dr. Roger Abdelmassih.

    Em sua clínica, a maior do país, são realizados cerca de 150 procedimentos de fertilização in vitro por mês – um movimento que se traduz numa amostra estatística bastante significativa para refletir o comportamento dos casais que pretendem engravidar. Apenas 0,54% dos casais apresentam algum problema genético. Embora a estatística seja ínfima, para quem sofre o problema representa 100%. Então, a biópsia embrionária vem acudir aos casais que já tiveram problemas ou que apresentam histórico familiar de doenças genéticas, como Fibrose Cística, Síndrome de Tuner, Hemofilia, Distrofia Muscular, Síndrome do X Frágil... Quase 80 doenças genéticas podem ser diagnosticadas pela biópsia.

    No caso da Síndrome de Down, o teste se aplica principalmente às mulheres com mais de 40 anos. Há uma relação importante entre o nascimento de crianças com a Síndrome de Down e a idade materna. Após os 35 anos, a qualidade ovariana diminui, dificultando a gravidez e aumentando a possibilidade de alterações cromossômicas. Aos vinte anos o risco é de 1 para 1600, enquanto que aos 35 anos é de 1 para 370.

    Acontecer com mulheres jovens, como foi o caso de Fernanda, da novela, é raro. E, paradoxalmente, o mais comum nas clínicas de fertilização assistida. “As estatísticas mundiais mostram que os casos de bebês concebidos por FIV com Síndrome Down ocorrem com mulheres na faixa de idade de 25 a 30 anos, pois são jovens, estão fora da faixa de risco, portanto não fazem a biópsia”, explica o Dr. Abdelmassih.

    Biópsia e ilusão

    A biópsia embrionária é um procedimento de sofisticada tecnologia, caro, mas não é milagroso. “Os casais pensam que é possível fazer uma “vistoria genética total” no embrião para garantir que o bebê será saudável”, explica a embriologista Soraya Abdelmassih. Não é assim. O teste é feito com uma célula retirada de um embrião de 48 horas e a verificação é feita para a doença da qual se tem suspeita. Assim, um casal que já teve um criança com fibrose cística, ou com história de hemofilia na família, fará a biópsia. Para cada doença a ser diagnosticada nos genes do embrião, será aplicada uma sonda genética específica para aquela doença (como se fosse um “anzol” que pinça o gene que será estudado).

    O exame é indicado principalmente para os seguintes casos:

     
    pacientes com mais de 40 anos,
     
    falha de implantação repetida (aborto por repetição),
     
    doenças ligadas ao sexo (hemofilia),
     
    alterações genéticas específicas e
     
    doenças hereditárias

    Na Clínica Roger Abdelmassih são realizados por mês, em média, 20 procedimentos de PGD (Diagnóstico Genético pré-implantacional). Esse número não se alterou desde o início da novela. A biópsia custa em torno de R$ 4,5 mil - depende do número de células analisadas e do número de sondas utilizadas, e o procedimento é feito para todos os embriões que foram produzidos.

    Consultores: Dr. Roger Abdelmassih e Dr. Vicente Abdelmassih.

     
     
     
     
     
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