Centro de pesquisas – e de atenções
Trabalho científico realizado na Clínica Roger Abdelmassih surpreende
cientistas internacionais.
A vida de um cientista é cercada das novidades que eles tanto buscam. No entanto, é mais comum eles as encontrarem numa lâmina, observando-as pelo microscópio, ou seja, em situações de pesquisa, no ambiente de laboratório. Mas não foi assim que aconteceu para alguns dos grandes nomes da ciência mundial, durante o Simpósio Internacional “Avanços em Reprodução Assistida”, realizado nos dias 17 e 18 de agosto, na Clínica Roger Abdelmassih, em São Paulo.
O zoólogo Riuzo Yanagimachi saiu de Honolulu, no Havaí, onde é professor da Universidade John A. Bruns School of Medicine e dirige o as pesquisas nas áreas de Fisiologia da Fertilização, Transgenesia e Clonagem, para vir ao Brasil, país que ele ainda não conhecia, para dar duas palestras e observar pássaros em Manaus. Yana, como é chamado por seus amigos, é muito famoso no mundo científico por ter feito a clonagem de animal mais bem sucedida até agora. Cummulina, a primeira ratinha clonada pela equipe de Honolulu, viveu até os 95 anos – idade equivalente a de humanos – , e sem apresentar doenças comuns aos animais clonados.
Vir ao Brasil significava para Yana conhecer a natureza de um país considerado exótico e dividir seu profundo e respeitado conhecimento científico com os participantes do Simpósio Internacional “Avanços em Reprodução Assistida”. Ele não imaginava que fosse encontrar tamanha novidade científica no Brasil, conhecendo um trabalho que o surpreendesse tanto, segundo suas palavras. Entre admirado e desconfiado, o professor Yanagimachi discutiu por mais de 40 minutos com os autores do trabalho, a Profa Dra. Irina Kerkis, Alexandre Kerkis e equipe do laboratório de ciência básica da Clínica Roger Abdelmassih. Foi um dos melhores momentos do evento, que arrebatou as atenções de todos os presentes – inclusive dos mais de 300 internautas que acompanharam o simpósio on line.
O trabalho científico que encantou Yana e a platéia já havia sido uma das grandes atrações do Congresso da Sociedade Européia de Reprodução Humana e alvo do interesse da revista Nature, em seu site, no mês de junho passado. O estudo da professora Irina e equipe foi realizado no centro de pesquisas da Clínica Roger Abdelmassih e é, de fato, surpreendente: eles conseguiram produzir óvulos e espermatozóides, a partir de células-tronco embrionárias de rato. Pela primeira vez, no mundo, gametas diferentes – espermatozóides e óvulos - evoluíram in vitro, graças às substâncias utilizadas nos meios de cultura. E o mais fantástico: se reproduziram! Um blastocisto, pré-embrião, foi gerado. No mundo da ciência, o feito é fantástico e abre portas inimagináveis para a terapia com células-tronco, afinal acena-se com a possibilidade de usar essas células sem ser preciso destruir um embrião, ou fazer a polêmica clonagem de seres. Existem apenas três estudos do gênero, em todo o mundo: dois de universidades americanas e um da Alemanha. Os trabalhos foram publicados nas prestigiosas revistas Science, Nature e Development Cell.
Yanagimachi, que é considerado uma lenda viva no mundo da ciência atual, ficou admirado com o resultado do estudo de Irina Kerkis e equipe, mas deixou claro, também, a sua dúvida e algum ceticismo: “vocês estão indo no caminho certo, mas ainda não estou convencido”, disse o cientista. “Gostaria de comprovar os resultados pessoalmente”, completou. Dito e feito: depois das discussões, enquanto todos desfrutavam o coffee break, o Prof. Yana e os pesquisadores foram ao laboratório de células-tronco da Clínica. O professor Alexandre Kerkis, mandou buscar um ratinho e o próprio professor Yanagimachi retirou células dos tubos seminíferos do rato e pôde observar que as estruturas celulares obtidas no experimento dos pesquisadores da Clínica Abdelmassih eram absolutamente iguais às do rato “de verdade”.
Após a comparação, o professor Yanagimachi, como entusiasta defensor de São Tomé, ficou boquiaberto: ele comprovou, com seus próprios olhos que as células-tronco embrionárias converteram-se em espermatozóides e óvulos. De cético a entusiasmado, o cientista deu-se por convencido, parabenizou a equipe e convidou o casal Kerkis a repetir a experiência em seu laboratório em Honolulu.
Em fax enviado na semana posterior ao evento, o Prof. Yana atestou que, dos quatro estudos já realizados sobre a produção de gametas a partir de células-tronco embrionárias, o único que realmente mostrou provas inequívocas dos aspectos cromossômicos e funcionais das células produzidas foi o trabalho feito no laboratório de pesquisas da Clínica Roger Abdelmassih.
A próxima etapa deste trabalho consistirá em verificar a “vida funcional” desses gametas - se eles são capazes de criar um novo ser vivo – assim, como Dolly e Cummulina. Uma etapa que contará com a observação atenta de um dos maiores pesquisadores do mundo, que pensou que no Brasil só viria para observar pássaros na Amazônia... e acabou observando que aqui se faz ciência de primeiro mundo. E o mais admirável: em uma clínica privada.
Consultores: Dr. Roger Abdelmassih e Dr. Vicente
Abdelmassih. |