Eles também correm atrás de um bebê para
chamar de seu
Homens que não tem espermatozóides, vasectomizados ou
portadores de HIV podem recorrer a uma série de técnicas bem-sucedidas,
mas às vezes assustadoras para a sua masculinidade
A maioria das pessoas ainda associa o sonho de ter um filho com a mulher, mas muitos casais que hoje procuram solução nas técnicas de reprodução assistida estão na clínica pela vontade e iniciativa do marido. E se o sexo frágil sofre ao saber que é responsável pela impossibilidade de engravidar, os homens não ficam pra trás. É pior. Enquanto as mulheres choram e se descabelam, a maioria sofre em silêncio, associa a infertilidade com a impotência e coloca em dúvida sua própria masculinidade – um problemão que afasta o casal.
“Na luta por um bebê, porém, esses valentes homens perdem o medo de tudo. Das agulhadas, dos pareceres dos médicos e da opinião alheia. Não poupam esforços para realizar o sonho de ser pai”, destaca o médico Roger Abdelmassih, especialista em reprodução humana.
Para se ter uma idéia, com os avanços das técnicas de reprodução assistida, os casos mais complicados e insolúveis pertencem hoje ao passado. Portadores de HIV podem ter filhos por meio de uma técnica que faz uma limpeza no sêmen e proporciona espermatozóides sadios.
Até aqueles que sofrem de azoospermia (completa ausência de espermatozóide) ou são vasectomizados também têm sua vez. Hoje, com a técnica conhecida como Pesa, por exemplo, os espermatozóides são retirados do epidídimo ou dos testículos por uma finíssima agulha. “A técnica é um sucesso, mas, é claro, que pode ser assustadora para os homens, afinal é uma cirurgia envolvendo seu órgão sexual e mexe com a sua masculinidade”, explica Abdelmassih, que tem 40 anos de experiência em fertilidade.
Já na Microtese, outro procedimento bem-sucedido, os médicos retiram os espermatozóides diretamente dos testículos por meio de uma cirurgia. Segundo Abdelmassih, o procedimento é seguro e eficaz, mas também interfere no psicológico de muitos homens. “Mesmo assim, eles deixam medo e preconceito de lado e enfrentam o tratamento como verdadeiros heróis”, destaca Abdelmassih.
Dos 15 mil bebês frutos de reprodução assistida hoje no Brasil, 7 mil foram concebidos na Clínica e Centro de Pesquisa em Reprodução Humana Roger Abdelmassih.

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