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    Entrevista com Dr. Roger Abdelmassih

    Genesis Nova Vida - O sr. poderia nos dar uma dimensão do drama da infertilidade no Brasil?

    Dr. Roger Abdelmassih - Existem no Brasil 16 milhões de pessoas – ou 8 milhões de casais – que sofrem com a infertilidade. É uma população grande que sofre com uma das piores dores: a dor da ausência, a dor da falta. Casais que estão imbuídos do espírito de constituição de uma família,o que é, nos dias de hoje um bem social de inestimável valor. Se considerarmos que todas as clínicas de reprodução no país fazem cerca de 10 mil procedimentos por ano, pode-se constatar o tamanho do drama da infertilidade no Brasil.

    Por que um casal sem filhos sofre tanto e se esforça tanto, com sacrifícios pessoais e financeiros, para buscar um bebê por meio da ciência?

    Porque o casal normalmente planeja ter um filho, quer constituir família. Esse sonho faz parte da vida matrimonial da grande maioria dos casais. Quando começam a existir dificuldades, há um grande desespero, principalmente por parte da mulher, que passa a verificar que não está conseguindo realizar o que para ela é fundamental, que é a maternidade. Todo mês a mulher passa a ter uma decepção, que é quando ela menstrua – e então experimenta a terrível sensação de incompetência. Todo mês ela revive a sua derrota, a sua frustração por não gerar um filho. Esse sofrimento da mulher, que é compartilhado com o marido (que por seu lado sofre confusas sensações de impotência), faz com que o casal resolva tomar posições de sacrifício, do custe o que custar, buscando encontrar a solução para o problema.

    Existe um limite para o número de tentativas que um casal deve ter na busca de um filho biológico antes de recorrer à adoção, por exemplo?

    O grande limitador do casal é a parte financeira. O fato de a mulher fazer duas, três, cinco ou oito tentativas não lhe acarretará nenhuma doença futura ou qualquer tipo de deficiência. Em alguns casos também agem como limitadores as opiniões do casal em relação a óvulos de doadoras, por exemplo, que são recomendados para mulheres que não produzem mais óvulos. Se a mulher não aceitar esta condição, será inviável para ela ter o filho e ela deverá recorrer à adoção. O grande papel do médico é analisar se o casal realmente poderá ter filho por determinadas técnicas e, se puder, orientá-los a tentar. Se a mulher tem condições viáveis e chances palpáveis de ter o filho, ela deve continuar tentando. Quando as chances são pequenas, cabe ao médico desestimular o casal a seguir esse caminho e orientá-los para que encontrem outra solução, seja pela doação de gametas ou até a adoção.

    Os casais hoje aceitam bem a hipótese de ter um bebê com óvulos ou espermatozóides doados?

    O homem ainda tem uma dificuldade grande para aceitar o espermatozóide doado. A mulher aceita com mais facilidade utilizar óvulo doado quando ela se vê realmente sem saída. Por muitas vezes o casal enfrenta um dilema para tomar a decisão e, rotineiramente, o marido interfere na opinião da mulher e vice-versa. Quando há a necessidade de utilizar sêmen doado, a mulher geralmente se mostra resistente, por sentir que pode ferir a sensibilidade do marido. A aceitação é maior para óvulos do que para espermatozóides e é lógico que seja assim pois a mulher vai gestar, vai parir o filho, é ela que vai dar a vida àquele embrião. Quando o casal utiliza espermatozóide de doador o homem sente que está à margem do processo, que não participou efetivamente com nada, o que não é verdade, pois até que ele aceite ter um filho com espermatozóide doado ele já se submeteu a uma série de exames, avaliações, já está participando da situação.

     
     
     
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