Fertilização Assistida – 30 anos, História e Polêmicas
A ciência caminha devagar. Foram necessários mais de mil anos para
compreender a anatomia do corpo humano, outros tantos séculos para
entender o poder de um micróbio. Mas, em apenas 30 anos, milhões de
famílias comem bolo de aniversário e fazem festa de formaturas
de filhos que seriam impossíveis
Histórias para não dormir
• Estima-se que pelo menos 4,5 milhões de casais em todo mundo experimentam o gosto amargo da infertilidade. Nas culturas antigas, era permitido aos homens que enforcassem suas esposas “secas” – inférteis. A culpa, claro, nunca era masculina. Na Inglaterra da Idade Média, o homem poderia anular o casamento, denunciando-a por não conseguir procriar. Na Índia, há não muito tempo, mulheres inférteis eram “condenadas” a sentar ao lado de um fogão até que se queimassem
• Henrique VIII, da Inglaterra, desprezou várias mulheres por não conseguir o filho homem almejado. Tivesse vivido mais tempo, teria que sacrificar os cientistas que descobriram ser o espermatozóide o gameta responsável pelo sexo do bebê.
• Maria Antonieta foi considerada uma rainha estéril, quando na verdade era o Rei Luis XVI, seu marido, que era incapaz de procriar.
• Em tempos mais modernos, as frustrações provindas da infertilidade recaem no campo emocional – a dor da ausência, a angústia de não conceber, misturam-se às cobranças sociais, hoje amenas, mas não menos torturantes.
Histórias para discutir
• No dia 25 de julho de 1978, os médicos ingleses Steptoe e Edwards anunciaram o nascimento do primeiro ser humano concebido fora do corpo. Havia uma certa ternura na manchete do Daily News: “Aqui está ela: a adorável Louise”.
• 67 dias após o nascimento de Louise, nascia na Índia, em Calcutá, no dia 3 de outubro, o segundo bebê de proveta do mundo – Kanupriya Argal. O médico responsável pelo feito, Subhash Mukerjee, foi levado ao ostracismo científico em seu país, impedido de divulgar seu trabalho. Em julho de 1981, ele suicidou-se. Pode-se considerá-lo a primeira vítima fatal dos tantos preconceitos que esta ciência carrega até os dias de hoje.
• Depois de Louise e Durga, mais 3,5 mil milhões de bebês nasceram. Nesses 30 anos, o conhecimento científico e tecnológico desta ciência super jovem não pára de crescer: a prosaica “sopinha” de gametas foi substituída por uma técnica que manipula os gametas, segurando literalmente pelo rabinho o espermatozóide para fazê-lo fecundar o óvulo eleito.
• Todos os fatores femininos e masculinos de infertilidade podem ser contornados. Casais com doenças genéticas, homens portadores de vírus da Aids ou de Hepatites, quase nada é fator impeditivo para que um casal possa sonhar com um bebê hoje em dia. Os resultados de gravidez já batem na casa dos 60% de sucesso, de gravidez a termo.
• O Brasil é centro de excelência em reprodução humana assistida – os resultados obtidos aqui são iguais aos dos melhores centros do mundo. Cerca de 15 mil bebês de proveta nasceram no Brasil, sendo que 6.500 foram concebidos na clínica de Roger Abdelmassih, a maior do país, que mantém o único centro de pesquisa básica em reprodução humana.
Embriões congelados – quais vidas serão preservadas ?
• Dentro de mais alguns dias o nosso Supremo Tribunal deverá julgar se algumas das técnicas, que começaram o seu desenvolvimento na Reprodução Humana Assistida, poderão ser utilizadas pelos nossos cientistas para pesquisarem células-tronco extraídas de embriões congelados que não serão utilizados por seus pais. Na verdade, o Supremo Tribunal Federal definirá para a sociedade brasileira quando começa a vida – ou quais vidas devem ser preservadas. As que estão congeladas, ou as que estão à espera de um tratamento que lhes garanta a sobrevivência.
• O Dr. Roger Abdelmassih é formado há 40 anos, e há mais de 30 anos se dedica à Reprodução Humana, ajudando casais a formar famílias. Ele é uma testemunha ativa dessa revolução. Católico fervoroso, tem seus dilemas em relação às determinações da Igreja Católica em relação aos procedimentos de fertilização assistida. Além de pioneiro em Medicina Reprodutiva, ele é responsável por trazer ao Brasil algumas técnicas que revolucionaram esta ciência. Abdelmassih é, também, um mecenas da ciência básica em reprodução humana: sua clínica em São Paulo mantém o único laboratório de ciência básica em reprodução humana do país, que já produziu óvulos e espermatozóides a partir de células-tronco embrionárias de camundongos.
Óvulos congelados – a solução do(s) dilema(s) ?
• Brad Pitt queria ser pai, mas Jennifer Aniston, artista americana famosa pela série Friends, e sua esposa na época, não queria ser mãe. Ela queria cuidar da sua carreira profissional. Ela perdeu o marido, que agora é pai de vários filhos com Angelina Jolie. Para não incorrer no mesmo erro, Jennifer resolver congelar seus óvulos – que hoje já têm 39 anos, mas que ainda podem ser viáveis para uma futura gravidez.
• O Dr. Abdelmassih pode falar desta possibilidade que acabará com a polêmica dos embriões congelados. Ao invés de congelar embriões, congelam-se óvulos! A técnica já está sendo aplicada nas melhores clínicas do mundo, inclusive na sua – com resultados altamente satisfatórios.
• Congelar óvulos será a saída para a mulher moderna? Fazer carreira, viver a vida, e depois – lá pelos 45 anos, com tudo resolvido, engravidar – com os seus óvulos dos 25 anos, no auge da idade e da qualidade reprodutiva.
Problemas que a Fertilização Assistida resolve:
• Mulheres jovens casam-se com homens mais velhos, que não esperavam constituir nova família, portanto são vasectomizados – mas a jovem esposa quer ser mãe.
• Homens jovens casam-se com mulheres mais velhas, que já passaram da boa idade reprodutiva – mas eles querem ser pais.
• Ele ou ela tem uma doença – câncer por exemplo – cujo tratamento trará
infertilidade.
• Ele tem aids, ou hepatite B / C.
• O casal é portador de uma doença genética: síndrome do X frágil, fibrose cística (entre outras 72). O bebê tem 25% de chances de nascer com a doença.
• Ela esperou demais para engravidar – e agora tem endometriose.
• Ela pode engravidar, mas seu útero não tem condições de carregar o bebê.
Biópsia genética de embriões
• É possível analisar um único gene do embrião, para saber se ele será ou não portador de doenças gravíssimas como fibrose cística, e outras. Antes, a biópsia era feita pela análise dos cromossomos, então certas doenças, como hemofilia, eram prevenidas pelo descarte dos embriões masculinos. Hoje a tecnologia está tão apurada que já não é preciso fazer a sexagem.
O que mudou nos últimos 30 anos
| Fertilização in vitro |
Há 30 anos |
Hoje |
Chance de engravidar com
fertilização in vitro |
Cerca de 5% |
Cerca de 55% em mulheres até 35 anos |
| Coleta de óvulos |
Via laparoscopia, com uso de anestesia geral, em hospital |
Via ultra-som, com leve sedação, na própria clínica |
| Custo |
Cerca de 30 mil dólares |
Cerca de 15 mil reais |
| Controle para evitar gestação múltipla |
Impossível. Eram transferidos inúmeros embriões |
São transferidos apenas os melhores embriões, depois de avaliações laboratoriais. Apenas 3 são transferidos, no máximo |
| Fertilização in vitro com sêmen de homens vasectomizados, ou azoospermicos |
Impossível |
Desde 1993, com a ICSI – Injeção intracitoplasmatica de espermatozóide, é possível injetar um único gameta o óvulo. Esse gameta pode ser obtido por micro-cirurgia no testículo, ou punção no epidídimo. |
| FIV com óvulos congelados |
Impossível congelar óvulos |
Técnica de congelamento já é dominada com resultados de gravidez excelentes |
| Biópsia de Embrião |
Não existia |
O diagnóstico genético já é realizado com absoluta segurança para o embrião e com resultados eficazes. |
| Teste de qualidade do espermatozóide |
Não existia |
O teste de fragmentação analisa o DNA e avalia o potencial de fertilidade dos gametas masculinos |
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