Peso e fertilidade, uma relação familiar
Encaremos os fatos - nossa sociedade é obcecada pelo corpo, e a moda, hoje, é ser magra. Algumas mulheres passam fome para ficarem magras, enquanto muitas outras comem em excesso e ganham peso. Esse comportamento expõe as mulheres à anorexia, bulimia, obesidade e também infertilidade. As estatísticas mostram que 12% de todos os casos de infertilidade são resultado de falta ou excesso de peso.
"A obesidade, por si só, é fator de dificuldade para engravidar, em virtude de, freqüentemente, se acompanhar de distúrbios hormonais," diz o médico Geraldo Medeiros Neto, autor do livro "O Gordo Absolvido". O principal ingrediente da relação entre peso corporal e fertilidade é o estrógeno - um hormônio sexual produzido nas células adiposas. Se uma mulher tem gordura corporal demais, o corpo produz estrógeno em excesso e começa a reagir como se estivesse controlando a reprodução, limitando as chances de gravidez.
Mas o oposto também não é bom. Mulheres magérrimas, com pouquíssima gordura corporal costumam achar que são saudáveis porque estão magras, mas por não consumirem uma quantidade saudável de calorias e não terem o peso ideal, seus corpos não produzem estrógeno suficiente e seus ciclos reprodutivos começam a falhar. Mulheres com excesso ou falta de peso têm ciclos menstruais irregulares onde a ovulação não ocorre ou é inadequada.
Também é importante manter um peso corporal saudável, não só por razões reprodutivas, mas para a saúde física como um todo. De acordo com dados no Ministério da Saúde, obesidade e excesso de peso atingem cerca de 30% das brasileiras em idade fértil (16 a 46 anos). As pessoas acima do peso têm uma probabilidade muito maior de desenvolverem doenças cardíacas, diabete, alguns tipos de câncer, derrame e artrite. Segundo autoridades médicas americanas, a obesidade tende a se tornar um problema tão grave quanto o cigarro nos EUA. No outro extremo da balança, distúrbios alimentares como anorexia e bulimia podem levar a subnutrição, desidratação, diminuição dos músculos, problemas neurológicos, ruptura no esôfago, queda de pressão arterial súbita, osteoporose, taquicardia e morte. Segundo Medeiros, dados mundiais indicam que 0,8% das mulheres entre 14 e 39 anos sofrem de anorexia e bulimia.
Para proteger suas chances de ter filhos e para manter sua saúde como um todo, você deve praticar exercícios e comer alimentos nutritivos de modo a manter um peso corporal saudável. Descubra se você tem um peso normal calculando seu Índice de Massa Corporal (IMC). O cálculo é feito dividindo o peso em quilos pelo altura em metros elevada ao quadrado (IMC = Peso (kg) / Altura x Altura (m)).
A tabela abaixo já traz alguns resultados. Por exemplo, uma mulher com 1,62 m de altura e 61 kg tem um IMC = 23.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o IMC corresponde aos seguintes estados nutricionais:
Abaixo de 18,5 - magreza patológica
18-20 - magreza
20 - 25 - peso normal
25 - 30 - sobrepeso
acima de 30 -obesidade
Sites:
Gordo Absolvido
http://www.gordoabsolvido.com.br
Site do médico Geraldo Medeiros Neto; informações sobre obesidade, guias de alimentação, vida ativa, receitas etc.
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade http://www.abeso.org.br/
Sociedade multidisciplinar para disseminar conhecimento sobre obesidade e promover o contato entre as pessoas interessadas no assunto; receitas, dicas, cálculo do IMC etc.
Genta - Grupo de Estudos em Nutrição e Transtornos Alimentares
http://www.genta.com.br/
Feito por nutricionistas, médicos e outros profissionais ligados ao Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Traz definições de anorexia, bulimia e obesidade; resumos de teses publicadas; dicas de alimentação e atividade física; contatos para quem busca ajuda.
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