Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI)
Vinte anos atrás uma colaboração entre Steptoe, um ginecologista, e Edwards, um fisiologista, resultou no nascimento do primeiro bebê após a fertilização "in vitro" com transferência de embriões ( FIV-TE ).
Esse relato representou o maior avanço do tratamento de infertilidade, e desde então, a FIV se tornou o melhor tratamento para alguns tipos de infertilidade, incluindo infertilidade devido a doença tubárea, endometriose, infertilidade sem causa aparente ou infertilidade envolvendo fator masculino.
Logo, tornou-se óbvio que certos casais com infertilidade devido a fator masculino severo não poderiam ser ajudados pela FIV. As principais causas de falha de fertilização na FIV convencional eram : número extremamente baixo de espermatozóides, e alterações de motilidade e morfologia dos mesmos.
Vários procedimentos de fertilização assistida baseados na micromanipulação de espermatozóides e óvulos, foram desenvolvidos para tentar solucionar esses problemas. A evolução dessas técnicas , começou com a técnica da PZD ( Partial Zona Dissection = Dissecção Parcial da Zona Pelúcida ), seguido pela SUZI ( Subzonal Insemination = Inseminação de espermatozóides no espaço peri-vitelino ) e finalmente pela técnica de ICSI ( Intracytoplasmic Sperm Injection = Injeção Intra-Citoplasmática de Espermatozóides ).
As duas primeiras técnicas foram desenvolvidas para ultrapassar a barreira da zona pelúcida em favor da fertilização. A técnica do PZD envolve a ruptura mecânica da zona pelúcida do oócito e logo após a inseminação dos espermatozóides que terão livre acesso ao espaço peri-vitelino. Na técnica da SUZI vários espermatozóides móveis ( 3-20 ) são liberados diretamente no espaço peri-vitelino por meio de uma pipeta de injeção. A técnica de ICSI é mais invasiva porque um único espermatozóide é imobilizado e diretamente injetado dentro do ooplasma com uma pipeta de injeção, cruzando não somente a zona pelúcida mas também a oolema.
Em 1992, o grupo de Van Steirteghem, relatou as primeiras gestações humanas e nascimentos após a transferência de embriões gerados por este novo procedimento de fertilização assistida.
O uso da PZD tornou-se controverso e foi abandonado. As taxas de fertilização após a ICSI eram significativamente melhores que após a SUZI. Por outro lado, a ICSI resultou na produção de mais embriões com melhores taxas de implantação. A consequência desse fato, é que a ICSI tem sido usada em todo o mundo com sucesso para tratar a infertilidade masculina resultante de oligoastenospermia severa, teratozoospermia, e mesmo, azoospermia no ejaculado.
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