O citoplasma do oócito desempenha um papel crucial nas diferentes etapas da fertilização e no desenvolvimento embrionário. Sabe-se que a qualidade do embrião está associada ao seu poder de implantação e, consequentemente, à obtenção da gravidez. Existem várias condições que diminuem a qualidade do oócito, levando assim à diminuição nas taxas de implantação e gravidez. Recentemente, desenvolveu-se uma técnica que foi denominada "transferência de citoplasma" , com o objetivo de aumentar a qualidade de um oócito , através da transferência de citoplasma extraído de um oócito "doador" de excelente qualidade para um oócito receptor com qualidade citoplasmática comprometida. Deste modo, a qualidade global do oócito melhora, aumentando as chances da implantação do embrião e de gravidez.
Os componentes citoplasmáticos são muito importantes para determinar a qualidade do oócito. Em alguns casos, observa-se já na aspiração oocitária, a má qualidade do oócito através do microscópio. Estas alterações incluem morfologia anormal, fragmentação de citoplasma, granulosidade, vacuolização e escurecimento do citoplasma. Esses oócitos geralmente originam embriões de má qualidade. A restauração do potencial de desenvolvimento de oócitos incompetentes pode ser atingida pela alteração do estado molecular dos mesmos, utilizando a injeção de organelas selecionadas, ou através da transferência de citoplasma normal desprovido de material nuclear. Neste último caso, o oócito receptor torna-se híbrido do ponto de vista citoplasmático e, com isso, pode-se, hipoteticamente, restaurar parcialmente o estado fisiológico normal.